Slayer – Coliseu dos Recreios, Lisboa – 5.Jun.2017

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A noite em que todos os demónios sairam à rua e marcaram ponto de encontro no Coliseu!

Posso já dizer que este concerto entrou para a história dos concertos de Metal em Portugal e foi o melhor de Slayer que vi em solo nacional. O facto de serem cabeças-de-cartaz atrai o público que “só” quer ver realmente Slayer ao contrário das últimas aparições que os Slayer por cá fizeram em que eram co-integrantes de um cartaz do tipo “festival”. Ou seja, o povo que apareceu neste concerto é die-hard dos Slayer e esforçou-se por espalhar o “caos” comprovando os dois mitos que remontam à década de 80: i) “Chegas a uma dada altura, a meio do concerto, pensas que vais morrer!” e ii) “Até Satanás teria medo de estar naquele circle pit!“. Impressionante! E lendário!

A poucos minutos das 20h encaminhei-me para a rua do Coliseu, a rua das Portas de Santo Antão. Quando dou por mim, vislumbro um polícia com uma pistola-metralhadora na esquina do Coliseu, facto indissociável dos atentados que têm acontecido na Europa em alguns concertos. “Bem, antes segurança a mais do que a menos” – pensei eu. Junto à porta do Coliseu já há muita gente a preparar-se para o concerto. Uns em pé a conversar e outros na esplanada. O “uniforme” negro com o nome das mais variadas bandas de Metal não engana.

Às 20h e poucos minutos dou entrada no Coliseu. O Coliseu estava com cerca de meia lotação quando os Rasgo, apresentando-se como uma banda de Crossover Thrash, entraram em palco por volta das 21h. Ao que parece houve uma pequena “falha” na intro mas nada que estragasse a actuação enérgica e entusiasmante que se seguiu. O grupo canta em português e conseguiu agitar o público com temas do seu álbum de estreia, “Ecos da selva urbana”, com o seu Thrash potente.

Os Slayer acabariam por entrar por volta das 22h já com o coliseu “à pinha” e sem espaço para mais uma “agulha”. A música “Thunderstruck” acabou por dar lugar a “Delusions of Savior”, a introdução do último álbum, “Repentless”, e a uma escuridão quase total. E que grande passagem! A passagem foi de tal forma bem feita que a música dos AC/DC e a dos Slayer pareciam a mesma.

O público entoava a intro a plenos pulmões e mal começam os acordes de “Repentless”, o tema-título, damo-nos conta de que seria uma noite em que a adrenalina iria “bater ferros”. Isto porque o slam começou instantaneamente dando origem a um turbilhão de pessoas e a um movimento imparável. E à medida que a noite foi progredindo, este movimento foi-se intensificando de forma exponencial!

Seguiu-se “The Antichrist”, “Disciple” e “Postmortem” praticamente sem intervalo. Impressionante como os Slayer debitam “destruição” sonora sem apelo nem agravo. Do que pude reparar, a banda só fazia um intervalo passadas três músicas, ou seja, tocaram conjuntos de três músicas seguidas sem descansar.

Clássicos como “War Ensemble” ou “Mandatory Suicide” desfilaram ao lado das mais recentes propostas “When the Stillness comes” e “You Against You”.

A dado ponto, Tom Araya, o vocalista da banda, alerta-nos para a música romântica dos Slayer, “Dead Skin Mask”, mostrando que o humor negro continua bem vivo para aqueles lados.

Talvez a surpresa da noite tenha sido a inclusão de “Hallowed Point” no setlist dado que nas últimas datas, os Slayer não a tinham tocado. A entrada no mosh foi obrigatória já que sou um grande apreciador da mesma.

O que de mais estranho aconteceu durante a noite ocorreu durante a “Die by the Sword” quando há uma falha de luz em todo o Coliseu incluindo no palco. As pessoas da bancada apercebem-se e iluminam o coliseu com as lanternas dos telemóveis. Solidariedade! É que não se via mesmo nada. No entanto os Slayer continuaram a tocar como se não houvesse problema algum e as luzes lá acabaram por ser repostas antes mesmo do fim da música.


Seguiu-se o “massacre” habitual com a sequência “Black Magic”, “Seasons in the Abyss” e “Hell Awaits”.

O encore iniciou-se com “South of Heaven” com o público a cantar em uníssono o refrão da música. A sequência final era o teste final e mais exigente pois a “Raining Blood” e a “Angel Of Death” iriam exigir toda a energia que ainda restasse ao público que estava na plateia. A “Raining…” teve as habituais falsas partidas que “provocam” ainda mais o público que quando sente a verdadeira partida instaura o caos no circle pit que, nesta altura, já abrange toda a plateia. Intensidade essa que ainda aumentou mais(!) na “Angel…”. Posso dizer que nunca parei (nem todas as pessoas da plateia) durante toda a música. E não é exagero.

Estava simplesmente exausto no fim do concerto. Fatigado mesmo. Dorido. Mas uma coisa é certa: podia ter dores nos dias seguintes mas tinha um sorriso de satisfação e realização pessoal plena pois sabia que estive num concerto louco, caótico e lendário do qual se falará durante muitos anos!

Setlist (fonte: Setlist.fm):

  • Delusions of Saviour
  • Encore:

Observação: Obrigado aos fãs que gravaram vídeos permitindo a quem não esteve no concerto “senti-lo” e a quem esteve, voltar a recordar o momento.

Por: Vitor Teixeira

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